it's you and me, together for always
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“Como o de sempre, estava sentada naquela velha cadeira de balanço, vendo o fogo da lareira se apagar. Chama por chama, ele ia diminuindo, desagrupando. Assim como nós, que costumávamos ser tudo. Isso era outra história. Na verdade, a história; a mais complexada e de difícil compreensão. Começou com uma troca de olhares, em 1996, se não me engano. Ok, eu tinha total consciência de que estava certa. 20 de dezembro de 1996, sete horas da noite. Aquele pequeno bar da esquina de sua casa, em que os homens costumavam beber até sofrerem reações mais “pesadas”. Isso nunca fez o meu tipo. Claro, eu tinha um. Digamos que eu era a inocente moça que não bebia nada além de pouco vinho, e fumava, cigarro por cigarro, para banir a amargura de minha alma. Era insana, não ingênua. Sempre gostei de reparar nos detalhes e fazer de conta que nem os percebia. Sempre fui forte, e acredito até hoje nessa minha tal capacidade. Mas aí, veio você. Destino ou acaso? Nunca se vai saber. Você com aquele tipinho convencido de ficar com tantas garotas desconhecidas em uma só noite. Isso não me impressionava; já era óbvio para mim que teu nome seria só mais um na minha lista de otários. Ok, você merecia uma lista vip. Merecia por ter sido o único idiota disposto a ganhar meu coração. E assim, conseguiu. Ou melhor, roubou.
“Então, qual teu nome?” - você murmurou.
“Acho melhor não saber.”
“Terei de descobrir sozinho, uhn… Até mais, Sra. Desconhecida.”
Você foi se distanciando. Cada vez mais longe de mim. E para minha surpresa, tu havia me deixado ali, parada, sozinha, e com o sorriso mais sincero que alguém podia imaginar. Advinha? O tempo passou, passou depressa. Eu havia me revigorado, e para o espanto de todos, não estava só. Você estava ali comigo. Não passara de um sonho, até que pude sentir o calor do teu corpo sobre o meu. E continuávamos sendo tudo que pudesse existir. Sobrevivemos com a mesma rotina de sempre; bebendo café e observando o oceano durante as tardes. Nunca fiz o tipo fã de café, principalmente dos amargos. Mas você já sabe, não? Daria tudo para viver ao teu lado por umas milhões de vezes. Porque era mais do que real; e eu nunca me imaginei longe dos teus braços. E o que é mais triste nessa bagunça toda? Fomos tudo, mas no passado. Deixei de pertencer-lhe. Sumimos. Desagrupamos, assim como as chamas do fogo. Viramos cinzas, morremos. Até outro dia, amor. Quem sabe possamos continuar nossa história.”
~ Isabela M.

Então, volta? Tem volta?
Me venço de saudade. De nostalgia. De vontade de te ter por perto. De te balançar e te fazer perder a consciência. De te beijar. De te morder. De te dar carinho. De te proteger. Te explicar o quanto meu você é. Te desejar. Te ter comigo. Te ter aqui. Te bater. Te xingar. Brigar contigo. Gritar contigo. Reclamar contigo. Fazer ser eu e você outra vez. [Porque na verdade, qualquer momento ao teu lado valeria mais do que uma eternidade] Quero acordar naquela manhã de domingo e te ver usando aquela pantufa de ursinho que eu tanto adoro. Lhe ouvir tocando violão. Fazer guerras contigo. Fazer pirraça contigo. Viver contigo. Dormir contigo. Lhe contar histórias para dormir. De preferência, as nossas histórias. Sem medo, sem abismos. Eu preciso de você aqui. [Ainda me torturo pensando que você não foi embora] Quero sentir tudo que costumava te fazer sentir. [Como se você tivesse mesmo sentido alguma coisa] Por que não fomos o suficiente? Agora lhe pergunto, amor. Dois jovens apaixonados que fariam tudo um pelo o outro… haveria de dar certo, não? Haveria de durar, de ser real. [Realidade. Eu precisava de algo real. Algo real relacionado a você] Você tem a resposta pronta? Igual das outras veze que fingíamos raiva um do outro, e aí você vinha sorrindo para mim… [Não existirá sensação melhor] E então diria que eu era uma boba. Uma idiota. Uma imbecil por estar jogando a minha vida fora e perdendo tempo estando contigo. [Isso nunca estará naquelas minhas listas de arrependimentos] Porque eu faria tudo de novo. E de novo. E de novo até não poder mais. Entraria em guerras, mesmo sem preparo ou ferraduras. Mesmo sem instrumentos de defesa. Eu poderia lutar contra todos esses exércitos imperiais. Por você. Pra você. Pra te ter. E então me depararia com os mísseis e as armas nucleares. Eu tão singela guerreando pelo mundo a fora só para te ver sorrir novamente. Mas não com qualquer sorriso improvisado. O teu sorriso que faria meu mundo conspirar. [Mesmo com o meu mundo estando lotado de problemas a serem resolvidos] Aí você me veria largar tudo só para te abraçar. E te morder. E sussurrar no teu ouvido. E realizar tudo aquilo que tenho. E que quero. Você… se parece com maconha. Cocaína. Tão atrativo, tão viciante. Tão ingênuo para mim. Talvez devesse mesmo afastar. Mas não afastarei. Nem que a minha vida acabasse em uma questão de segundos, permaneceria ali. Porque ainda tenho que terminar a nossa história. Sozinha. Querendo-te. Perdendo-me.”
~ Isabela M.

“Ah, sejamos sinceras mulheres modernas: no fundo, no fundo, a gente quer mesmo é alguém pra dormir protegida no peito (…) É vontade de sentir aquela coisinha misteriosa de “é ele!” (…) Quero beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo e muita sacanagem, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero ter de um lado um livrinho na cabeceira da cama e do outro lado, o homem que amo.”
~ Tati Bernardi

“Então, não perca seu tempo comigo. Eu não sou um corpo que você achou na noite. Eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer. Eu não preciso do seu dinheiro. Muito menos do seu carro. Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. Das suas mãos quentes. Do seu colo pra eu me deitar. Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com presentes caros. Não, eu não estou à venda. Eu não quero saber onde você mora. Desde que você saiba o caminho da minha casa. Eu não quero saber quanto você ganha. Quero saber se ganha o dia quando está comigo.”
~ Caio Fernando Abreu

“Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus (…) Encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você.”
~ Caio Fernando Abreu

“Se meu coração não se emociona mais com a presença dele, fiquei me perguntando o que eu estava fazendo ali.Se não sonho mais, não planejo mais, não desejo mais, não espero mais nada, o que eu estava fazendo ali? Não te amo mais, queria dizer a ele, pela primeira vez, sem esperar que ele sofresse com isso. Sempre quis que ele sofresse com esse dia. Mas justamente porque eu não o amo mais, nem quero mais que ele sofra. Aliás, não quero mais nada. Só ir embora. Claro que sobrou um carinho, uma amizade, uma graça. Mas tudo aquilo que era gigantesco, tudo aquilo que parecia ser maior do que eu mesma, que me soterrava, que me transportava pra outra realidade…tinha acabado. Então, por quê? Quero namorar esse homem? Não. Quero casar, ter filhos, envelhecer ao lado dele? Não mais. Nunca mais. Quero dormir com ele, ainda que daquele jeito errado em que minha solidão procura um abraço e a solidão dele procura sei lá eu o quê? Não. Quero reviver uma memória pra me sentir viva, emprestar uma alegria pura do passado? Não, tô fora de continuar sempre no mesmo lugar, me roubando minhas próprias histórias.Quero lamentar a falta de um beijo inteiro, um abraço de verdade, um carinho sem medo e uma atenção entregue sem nenhum egoísmo? Não. Não quero mais mudar ou fantasiar ninguém. Deixa o mundo ser como é. Deixa ele ser como ele é.O que eu queria, que era jogar uma conversa fora com uma pessoa que me conhece tão bem e há tantos anos, eu já tinha conseguido. Matar o tempo, rir da alma. E só. Coisa de no máximo uma hora. Mas eu já estava lá há duas.Quando ele finalmente parou de falar e a minha cabeça parou de gritar, o silêncio me contou um segredo que há muito tempo eu já desconfiava: é preciso coragem pra sair do automático.Quando minha mãe briga comigo, mesmo ela sendo uma senhorinha fofa e eu tendo o dobro do tamanho dela, sinto uma espécie de medo descabido e antigo, como se eu ainda fosse aquele menininha de maria-chiquinha. É o sininho do Pavlov, que fazia o cachorro babar por comida mesmo que não estivesse mais com fome. A mente é automática, viciada, comandada, acostumada. (…) E é por isso que quando ele, a pessoa que eu mais amei no mundo (amei sem os bloqueios e sem a amargura que veio depois de tanto amor) me pede pra ficar, eu fico. Se alguma química do meu cérebro obedeceu aquela voz por anos, por que haveria de parar de obedecer agora?Mas ontem, quando finalmente peguei minha bolsa e fui embora, senti um alivio imenso e novo. E combinei que meus pensamentos condicionados não mandam mais nada. Nadinha. Chega de ser comandada pela parte mais sem alma da minha existência. Ainda que encarar um coração vazio seja mais assustador do que obedecer à velhos padrões, o prazer da coragem é sempre muito maior que qualquer susto.”
~ Tati Bernardi

“Claro que eu adoro meu apê, minha cachorra, meu trabalho, meus amigos, meus livros, viagens, músicas. Tenho uma vida ótima. Mas nenhuma dessas coisas se comparava ao prazer que eu tinha ao ouvir o barulhinho de uma mensagem dele chegando. Ou de quando o porteiro dizia seu nome e o meu coração disparava tanto que eu tinha medo de morrer antes de o elevador abrir a porta. E olhar para ele, com o seu sorriso misturado de pior e melhor pessoa do mundo. E olhar o brilho dos seus olhos sem saber se vinha da alma ou da lente de contato. Enfim: olhar e me sentir errando tanto e acertando muito. Isso tudo fazia valer os últimos dez, quinze ou quarenta dias sem saber se ele estava ou não vivo. Era um jogo estúpido, mas o brindezinho que eu ganhava no final justificava os dias de luta perdida.”
~ Tati Bernardi